Imagem: http://bloggcarsantos.blogspot.com.br/2012/12/contraditorio-especismo-gilberto.html
Todos os dias, no trajeto entre a minha casa e o trabalho, ouço as notícias repetidas diariamente, que "chocam", ou deveriam chocar a população diariamente, visto que, apesar de repetidas, continuam sendo notícia pois contam com atores diferentes na difícil arte de viver no Brasil.
"Morre cinegrafista acertado por um rojão atirado por manifestante."
"Morre mendigo queimado por jovens nas ruas de Brasília."
"Morre grávida que não conseguiu atendimento em hospital público"
"Adquiridos 36 caças Suecos."
"Marinha pretende adquirir dois porta aviões para acomodar os 36 caças suecos"
"Governo Brasileiro investe 2 Bilhões em porto de Cuba."
Como entender um governo que investe em caças para proteger uma nação onde morrem 50 mil pessoas assassinadas em um ano.
Que após a compra dos caças é que pensa em adquirir novos porta aviões, totalizando quatro que praticamente não tem serventia?
Que investe 2 bilhões em um porto de cuba, enquanto os nossos portos penam para conseguir melhorias?
Até entendo a palavra dos empresários e líderes de segmentos da economia que irão certamente tirar proveito desse porto. Entendo a matemática da balança comercial. Mas confesso: Não consigo entender a balança da vida, na cabeça dos governantes.
Quanto vale a vida de um cidadão Brasileiro? Quanto vale o cansaço de uma mãe de família que sai para trabalhar as 05:00 da manhã e chega ao seu destino, já exausta ás 08:00 porque sua cidade (e entenda cidade como parte de um estado, que é parte de um país) não oferece um sistema de transporte digno, seguro e rápido.
Quanto vale a tristeza de um pai que leva seu filho ao hospital e após seis horas de espera, em uma acomodação precária, o médico atende o seu filho, sem sequer olhar para esse pai cansado a angustiado, e responde que é uma virose, sem sequer examinar a criança com a justificativa de que há outras centenas lá fora aguardando atendimento.
Realmente, eu não entendo.
Não entendo como as obras de reformas de escolas e hospitais não são finalizadas em tempo hábil, impossibilitando pais de deixarem seus filhos enquanto estão trabalhando, ou de ser atendido em um posto de saúde próximo a sua residencia, enquanto a iniciativa privada ergue hotéis, shoppings, hipermercados e tantos outros empreendimentos em tempo recorde e ninguém fica surpreso!
Temos de mudar nosso modo de ver o que acontece a nossa volta, de não aceitar simplesmente que aconteceu e não podemos fazer nada. Podemos sim, e ouso dizer que não precisamos sair as ruas pra que algo mude.
Precisamos acompanhar e cobrar mudanças, de forma pacífica, mas não imparcial. Temos de nos posicionar!
Porque a morte do cinegrafista rende três dias de notícias e os culpados foram encontrados tão rapidamente? Porque houve pressão! Não vi ninguém na porta da delegacia, mas aquilo foi cobrado pela mídia, e a população também cobrou resultados e a coisa aconteceu. Não vi nenhum cinegrafista matando ninguém porque um dos seus foi morto. Simplesmente colocaram seus equipamentos no chão e aguardaram.
Porque um programa como o CQC, que tem mais cunho humorístico que jornalístico consegue que políticos realizem benfeitorias em locais que estavam esquecidos a anos? Porque quando se mostra a cara de quem faz, e quem quer que seja feito também está disposto a mostrar a cara, a coisa muda de figura!
Chocar-se é pouco.
Falar é alguma coisa.
Cobrar é essencial.

